quinta-feira, 19 de março de 2026

Mensagem do Papa Leão pelos 10 anos de Amoris Laetitia

 


Queridos irmãos e irmãs!

O Papa Francisco, a 19 de março de 2016, como resultado de três anos de discernimento sinodal sustentados pelo Ano Santo da Misericórdia, ofereceu à Igreja universal uma luminosa mensagem de esperança a respeito do amor conjugal e familiar: a Exortação Apostólica Amoris laetitia. Neste décimo aniversário, queremos render graças ao Senhor pelo impulso dado ao estudo e à conversão pastoral da Igreja e pedir-lhe a coragem de continuar o caminho, acolhendo sem cessar o Evangelho, na alegria de poder anunciá-lo a todos.

Como ensina o Concílio Vaticano II, a família é «o fundamento da sociedade», [1] dom de Deus e «escola de valorização humana». [2] Por meio do Sacramento do matrimónio, os cônjuges cristãos constituem uma espécie de «Igreja doméstica», [3] cujo papel é essencial na educação e transmissão da fé. Na esteira do impulso conciliar, as Exortações Apostólicas Familiaris consortio – escrita por São João Paulo II em 1981 – e Amoris laetitia (AL) estimularam o empenho doutrinal e pastoral da Igreja ao serviço dos jovens, dos esposos e das famílias.

Tendo em conta «as mudanças antropológico-culturais» (AL, 32) que se acentuaram ao longo de trinta e cinco anos, o Papa Francisco quis comprometer ainda mais a Igreja no caminho do discernimento sinodal. O seu discurso de 17 de outubro de 2015, proferido durante a XIV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a família, exorta a uma «escuta recíproca» no meio do povo de Deus, «todos à escuta do Espírito Santo, o “Espírito da verdade” (Jo 14, 17), para conhecer aquilo que Ele “diz às Igrejas” (Ap 2, 7)». E especifica que não é «possível falar da família sem interpelar as famílias, auscultando as suas alegrias e as suas esperanças, os seus sofrimentos e as suas angústias».[4]

Hoje, ao colher os frutos do discernimento sinodal, a Amoris laetitia oferece um ensinamento valioso que devemos continuar a perscrutar: a esperança bíblica da presença amorosa e misericordiosa de Deus, que permite viver «histórias de amor» mesmo quando se enfrentam «crises familiares» (AL, 8); o convite a adotar «o olhar de Jesus» (AL, 60) e a estimular incansavelmente «o crescimento, a consolidação e o aprofundamento do amor conjugal e familiar» (AL, 89); o apelo a descobrir que o amor no matrimónio «sempre dá vida» (AL, 165) e que é «real» precisamente no seu modo «limitado e terreno» (AL, 113), como nos revela o mistério da Encarnação. O Papa Francisco afirma «a necessidade de desenvolver novos caminhos pastorais» (AL, 199) e de «reforçar a educação dos filhos» (AL, cap. VII), enquanto convoca a Igreja a «acompanhar, discernir e integrar a fragilidade» (AL, cap. VIII), superando uma concepção reduzida da norma, e a promover «a espiritualidade que brota da vida familiar» (AL, 313).

Como tive a oportunidade de dizer aos jovens reunidos em Tor Vergata durante o Jubileu da Esperança, «a fragilidade […] faz parte da maravilha que somos»: não fomos feitos «para uma vida onde tudo é óbvio e parado, mas para uma existência que se renova constantemente no dom, no amor».[5] Para servir à missão de anunciar o Evangelho da família às novas gerações, temos de aprender a evocar a beleza da vocação ao matrimónio exatamente no reconhecimento da fragilidade, de modo a despertar «a confiança na graça» (AL, 36) e o desejo cristão de santidade. Temos também de apoiar as famílias, em particular aquelas que sofrem tantas formas de pobreza e violência presentes na sociedade contemporânea.

Agradeçamos ao Senhor pelas famílias que, apesar das dificuldades e desafios, vivem «a espiritualidade do amor familiar […] feita de milhares de gestos reais e concretos» (AL, 315). Exprimo também a minha gratidão aos Pastores, aos agentes pastorais, às Associações de fiéis e aos Movimentos eclesiais empenhados na pastoral familiar.

Ainda mais do que há dez anos, o nosso tempo é marcado por rápidas transformações que exigem uma especial atenção pastoral às famílias, às quais o Senhor confia a tarefa de participar na missão da Igreja de proclamar e testemunhar o Evangelho.[6] Na verdade, existem lugares e circunstâncias em que a Igreja «não pode tornar-se sal da terra»[7] senão através dos fiéis leigos e, em particular, das famílias. Por isso, o compromisso da Igreja neste campo deve ser renovado e aprofundado, para que aqueles que o Senhor chama ao matrimónio e à família possam viver o seu amor conjugal em Cristo e os jovens se sintam atraídos pela intensidade da vocação matrimonial na Igreja.

Considerando as mudanças que continuam a influenciar as famílias, decidi convocar, para outubro de 2026, os Presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo, a fim de proceder, na escuta recíproca, a um discernimento sinodal sobre os passos a dar na transmissão do Evangelho às famílias de hoje, à luz da Amoris laetitia e levando em conta o que se está a realizar nas Igrejas locais.

Confio este caminho à intercessão de São José, guardião da Sagrada Família de Nazaré.

Vaticano, Solenidade de São José, 19 de março de 2026.

LEÃO PP. XIV

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[1] Conc. Ecum. Vat. II, Const. Past. Gaudium et spes, 52.

[2] Ibid.

[3] Id., Const. dogm. Lumen gentium, 11.

[4] Francisco, Discurso na Comemoração do Cinquentenário da Instituição do Sínodo dos Bispos (17 de outubro de 2015).

[5] Homilia na Missa do Jubileu dos Jovens (3 de agosto de 2025).

[6] Cf. Exort. ap. Familiaris consortio (22 de novembro de 1981), 17.

[7] Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, 33.

[00414-PO.01] [Texto original: Italiano]


Fonte: Vatican news

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Curso de extensão “AMOR HUMANO: Verdade e Desafio – Orientações Práticas para Educar”.


Comissão Nacional da Pastoral Familiar e a Faculdade João Paulo II, promovem o curso on-line de extensão “AMOR HUMANO: Verdade e Desafio – Orientações Práticas para Educar”.   O objetivo da formação é promover a compreensão integral da sexualidade humana, integrando dimensões biológicas, afetivas, sociais, culturais e espirituais, de modo a favorecer relações saudáveis, responsáveis e respeitosas, orientadas pela dignidade da pessoa.

O curso tem duração de 15 encontros e começa em 23 de fevereiro. O investimento por pessoa é de R$ 30. A iniciativa é voltada para educadores, profissionais da saúde, membros de Pastoral Familiar, pais, interessados em educação afetiva e sexualidade.

As aulas serão ministradas pelo mestre e doutor em Teologia Moral, padre Rafael Solano, e pela diretora Nacional do Programa Internacional Teen STAR – Programa de afetividade e sexualidade para crianças e adolescentes, Fabiana Azambuja. Entre os objetivos específicos do curso estão:

  • Reconhecer a sexualidade como dimensão constitutiva da pessoa humana, presente em todas as fases da vida.
  • Compreender os processos de maturação corporal, psíquica e relacional relacionados à vida afetiva e sexual.
  • Identificar fatores socioculturais, religiosos e familiares que influenciam a construção da sexualidade.
  • Estabelecer diálogo sensível e respeitoso sobre temas relacionados ao corpo, afetividade, vínculos e intimidade.
  • Desenvolver habilidades de escuta, acolhimento e orientação em situações de dúvida ou sofrimento afetivo sexual.
  • Promover práticas educativas que respeitem a diversidade e fortaleçam vínculos familiares e comunitários.
  • Estimular atitudes de responsabilidade ética, cuidado de si e do outro nas relações pessoais e conjugais.

Em caso de duvidas procure a Faculdade João Paulo II em secretaria@fajopa.edu.br ou (14) 3414-1965.

As inscrições estão abertas em: fajopa.org/amorhumano

sábado, 17 de janeiro de 2026

Agenda da Pastoral Familiar para 2026

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Já está disponível a agenda de eventos organizados pela Comissão Episcopal para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em 2026. A intenção é mobilizar a maior quantidade de agentes da Pastoral Familiar e dos movimentos eclesiais de todo o país para participarem dos encontros que ocorrem em âmbito local ou nacional. Os temas dos eventos estão voltados para a celebração dos 45 anos da Exortação Apostólica Familiaris Consortio e para para os 10 anos da Exortação Apostólica Amoris Laetitia.

Encontro com os movimentos

A Pastoral Familiar e diversos movimentos e realidades da Igreja Católica se reúnem, em Brasília, no dia 28 de fevereiro para discutir formas de integração das ações realizadas. O evento ocorrerá na sede da Secretaria Executiva Nacional.

Congresso Teológico Vida e Família

Entre os dias 23 e 27 de março, a Comissão promove a terceira edição do Congresso Teológico Vida e Família para os agentes da Pastoral Familiar e os diversos movimentos e realidades que atuam na evangelização das famílias. Os encontros são realizados sempre às 20h no Youtube da Pastoral Familiar.

Simpósio

No dias 30 de maio, ocorre o 16° Simpósio Nacional das Famílias, em Aparecida (SP). No domingo (31), será realizada a Peregrinação Nacional das Famílias.


Encontro com bispos

Entre os dias 30 de junho e 2 de julho, a Comissão promove o Encontro Nacional de bispos referenciais e assessores da Pastoral Familiar. Durante o evento será discutido o aggiornamento da Teologia do Matrimonial em Amoris Laettia.

Assembleia

A Assembleia Nacional da Pastoral Familiar será promovida em Brasília, entre os dias 3 e 5 de julho.

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Dia Mundial dos Avós e Idosos

Neste ano o IV Dia Mundial dos Avós e Idosos será celebrado no dia 26 de  julho nas dioceses e paróquias.

Médicos Católicos

O principal evento de médicos católicos para 2026 em Brasília será o XXVII Congresso Mundial de Médicos Católicos e o VI Congresso Brasileiro, que acontecerá de 30 de julho a 01 de agosto de 2026 na Casa de Encontros Dom Luciano Mendes de Almeida (CNBB) em Brasília, reunindo profissionais para discutir medicina à luz da fé, com debates sobre bioética e dignidade humana.

Semana Nacional da Família

Já está marcada a celebração da Semana Nacional da Família. Os encontros serão realizados entre os dias 10 e 16 de agosto. Esta é a 30ª edição do Hora da Família, que tem como tema: Família, torna-te aquilo que és! e o lema: “O amor jamais acabará” (1Cor 13,8a).

Congresso Teológico Vida e Família

Entre os dias 21 e 25 de setembro, a Comissão promove a quarta edição do Congresso Teológico Vida e Família para os agentes da Pastoral Familiar com temas ligados à defesa da vida. Os encontros são realizados sempre às 20h no Youtube da Pastoral Familiar.

Semana Nacional da Vida

Como de costume, a Semana Nacional da Vida é celebrada a partir do dia 1º até o dia 7 de outubro. No Dia do Nascituro, 8 de outubro, a Igreja também promove ações de conscientização e de defesa da vida. O tema do Hora da Vida será: O sentido da Vida e o lema é “Eu vim para que todos tenham vida” (Jo 10,10).

Formação

Entre os dias 6 e 8 de novembro, em Foz do Iguaçu (PR), será realizado o Encontro Nacional de Formação da Pastoral Familiar.


terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Estamos no "Janeiro Branco"

Como no Outubro Rosa e no Novembro Azul, a Campanha Janeiro Branco ,  aborda a saúde mental e o bem-estar emocional. 

Neste ano, o tema da mobilização é “ PAZ · EQUILÍBRIO · SAÚDE MENTAL ”. 

Todas as pessoas, famílias, empresas e instituições públicas e privadas são convidadas a promover ações concretas que estimulem a valorização da saúde mental como prioridade coletiva. 

A Campanha Janeiro Branco não nasceu de uma estratégia.
Nasceu de uma experiência humana real✅
Nasceu quando um sujeito em sofrimento decidiu pedir ajuda, encontrou escuta profissional, conhecimento psicológico e, nesse processo, reencontrou a própria paz.
Foi ali que @leonardoabrahao.psi, psicólogo e criador da campanha, compreendeu algo essencial: falar de saúde mental salva, educa, humaniza e transforma🏳️
A partir dessa vivência, surgiu a urgência de traduzir a psicologia para a vida cotidiana — de forma acessível, didática e pedagógica — para que cuidar da mente deixasse de ser tabu e passasse a ser cultura.
É por isso que o Janeiro Branco é legítimo.
É por isso que ele é coerente.
É por isso que ele é acolhido.
Uma campanha brasileira sobre saúde mental que nasceu da dor, floresceu no cuidado e hoje ecoa no mundo, respondendo ao que a humanidade mais pede: paz, equilíbrio e saúde mental.
https://www.facebook.com/campanhajaneirobranco/

A iniciativa começou em 2014 e foi reconhecida oficialmente, em 2023, como lei federal.

Saiba mais: https://janeirobranco.com.br/

“AMOR HUMANO: Verdade e Desafio – Orientações Práticas para Educar”

 

Pixabay

A Comissão Nacional da Pastoral Familiar e a Faculdade João Paulo II promovem curso on-line de extensão sobre “AMOR HUMANO: Verdade e Desafio – Orientações Práticas para Educar”.

 O objetivo é promover a compreensão da sexualidade humana orientada pela dignidade da pessoa.

Ministram o curso, o doutor em Teologia Moral, Pe. Rafael Solano, e a Especialista em Bioética e em Medicina da Fertilidade, Fabiana Azambuja.

São 15 encontros com início em 23 de fevereiro para educadores, agentes da pastoral familiar e pais.

Programação e Inscrições:  www.fajopa.org/amorhumano

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

A mãe da vida quer viver: sobre feminicídio às vésperas do Natal

 


Por MARIA CLARA BINGEMER

Em seu livro “Sobre a dor dos outros” (Regarding the pain of others), de 2004, a filósofa e pensadora Susan Sontag explora as raízes da guerra. E, a partir de um escrito de Virginia Woolf, reflete sobre a pergunta feita à escritora inglesa por um homem sobre a possibilidade de prevenir a guerra. Woolf responde com uma perturbadora afirmação: Os homens fazem a guerra. A maioria dos homens gosta da guerra, já que para eles há “alguma glória, alguma necessidade, alguma satisfação em lutar” que as mulheres, ou pelo menos a maioria delas não sente nem desfruta. Segundo Woolf – secundada em sua convicção por Sontag – a guerra é um jogo de homens. A máquina de matar tem um gênero, e é macho.

Nos últimos tempos, no Brasil, temos a impressão de que essa afirmação da grande pensadora se aplica à violência contra as mulheres. Têm acontecido tantos feminicídios que mulheres e homens se mobilizaram nas redes sociais, no espaço público e em todas as instancias para protestar contra esse que é um crime horrendo como todos, mas diferenciado de todos. Por quê? O feminicídio deve ser distinguido do homicídio. O último figura na lei como a morte infligida a um ser humano com os matizes vários de gravidade: culposo, doloso, triplamente qualificado etc. O feminicídio ataca e mata um ser humano que tem um gênero porque se recusa a aceitar sua identidade mais profunda: ser mulher. Melhor dizendo: recusa-se a permitir que essa que é mulher, em sua diferença, seja e viva plenamente.

Por isso as manifestações que assistimos nos últimos dias levantavam a bandeira e gritavam o refrão: queremos as mulheres vivas. O Levante Mulheres Vivas reivindicou o protesto pelos atentados feminicidas contra a vida das mulheres afirmando: Vivas.

Aqui não se trata mais das crescentes reivindicações por salário, direitos trabalhistas etc. Embora isto seja parte da questão e causa inclusa da violência, as mulheres reivindicam algo muito mais fundamental: viver. O direito a estar vivas que inclui respirar, ser livre, ter direito de ir e vir, tomar decisões por si mesma. E isso reforça ainda mais a gravidade do delito constantemente cometido e repetido contra estas cujos corpos são – pasmem – a sede da vida. Sem mulheres não há procriação, não há vida. A cadeia da vida é brutalmente interrompida por algum motivo estarrecedor em sua banalidade e futilidade: a decisão pelo fim de um relacionamento que não é aceito pelo parceiro por exemplo; a decisão de fazer um curso ou assumir um trabalho que requeira horas fora de casa; o desejo de levar adiante uma gravidez não desejada pelo companheiro.

A história das religiões nos diz que o problema é milenar, especialmente em nossa civilização ocidental. O grande psicanalista e pensador Contardo Calligaris afirma que nossa civilização está assentada sobre isso: o ódio às mulheres. E a causa que enuncia é mais impressionante ainda: porque a mulher é aquela que dialoga com o diabo e por isso, aquela que tem uma aliança com o mal. As religiões semitas previam o apedrejamento da mulher surpreendida em adultério e reconheciam toda a série de restrições a seu corpo do qual os homens piedosos deviam aproximar-se com cautela. Ali morava o pecado, que tinha potencial de contaminação. Portanto, a prudente distância e a estrita vigilância se faziam necessárias.

E, no entanto, a revelação bíblica nos diz que o Criador fez do pó da terra o ser humano isch- ischa ( macho e femea) e em suas narinas soprou seu “nefesh”, seu hálito de vida que lhes daria uma maravilhosa singularidade. E se Adão é o feito do barro, Eva é a mãe dos viventes. Em seu corpo está alojado e pulsante o mistério da vida que, ali semeada, cresce e desabrocha em extasiantes pluralidades. A narrativa do pecado original conheceu interpretações pelas quais Eva seria a primeira a ser seduzida pela serpente e aquela que não só pecou como induziu Adão ao mesmo pecado. A exegese bíblica hoje não toma esse caminho hermenêutico, reconhecendo o pecado original não como pecado sexual, tal como creem muitos, mas como a recusa do ser humano em aceitar sua condição de criatura e aspirar a ser Deus.

Essa interpretação, porém, é um elemento que colabora para que entre os mesmos humanos haja um gênero que extermina outra, que a impede de viver. Para onde irá a fonte da vida se as mulheres continuam sendo exterminadas e vivem com medo e terror do homem que têm ao lado, seja pai, tio, irmão, parente, amigo ou sobretudo companheiro, marido e parceiro?

Há mais de dois mil anos atrás um homem sofreu angustiado por não poder responder a uma questão que o atormentava José, o carpinteiro de Nazaré, constatou que Maria – a mulher que amava e de quem era noivo - esperava um filho que não era dele. A lei mosaica lhe punha nas mãos os instrumentos para o castigo e a punição mortal. Não os utilizou e pensava repudiá-la secretamente para protegê-la.

O mensageiro de Deus, no entanto o fez ir mais longe na recusa da violência contra o corpo de sua amada. Revelou-lhe em sonho não precisar temer acolher Maria como sua esposa, pois o que nela se gerava vinha do Espírito Santo. O resto é história, e história de salvação. José tomou Maria em casamento e cuidou dela e daquele menino que um dia seria sinal de salvação para o povo e para o mundo inteiro.

Que o amor e o respeito de José por usa mulher sejam hoje a inspiração para um movimento de conversão dos homens em direção ao conhecimento e ao exercício de sua identidade e de sua masculinidade. A mulher carrega em seu corpo aberto e perfurado a diferença que a faz sede da vida. É a mãe dos viventes. E ela quer viver. Não quer morrer pelo fato de ser mulher. A violência contra essa que é a morada da vida e a condição de que a vida avance e fecunde a terra não faz crescer a autoridade do macho. Mas pelo contrário desmascara sua insegurança e fragilidade que precisa matar para afirmar-se.

 

Maria Clara Bingemer é teóloga, professora do departamento de teologia da PUC-Rio e autora de diversos livros e artigos. Entre eles, o mais recente é “Sede de Deus nos desertos contemporâneos. Aproximações teopoéticas”, SP, Recriar, 2025.

domingo, 7 de dezembro de 2025

Bênção da Árvore de Natal


Em muitas famílias, costuma-se colocar a árvore de Natal em um lugar visível da casa e enfeitá-la com luzes, estrelas e presentes. Mas, o que significa para um cristão preparar sua árvore? Conheça a mensagem que traz este símbolo e como abençoá-lo em família.

Mensagem do Papa Leão pelos 10 anos de Amoris Laetitia

  Queridos irmãos e irmãs! O Papa Francisco, a 19 de março de 2016, como resultado de três anos de discernimento sinodal sustentados pelo ...